sexta-feira, 5 de março de 2010

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma cousa para trincar
Seria mais feliz por um momento...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e plánícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

Alberto Caeiro



"a noite se repete"

http://www.youtube.com/watch?v=KDQaJjg0gNk




2 comentários:

Raphael de Souza Araujo Lima disse...

Já É!
Já foi!

FUI!

Victor Jabbour disse...

Sabedoria...
O tempo de falar, o tempo de ouvir...

De se manifestar, de se recolher..

E ele ainda dava conta de outros pseudônimos... O cara era grande!

Grande abrax, grande Josa!